Magrelinha e a Rainha Má

hecateEu devo dizer que gosto de Luis Melodia? Não, e nem isso mudaria as minhas histórias com as músicas que fizeram a trilha sonora da minha vida. Momentos de raiva, de amor, de tesão.

Me diga que eu te excito, e eu morro por você! Tantas vezes eu disse isso, mas na verdade eu sempre ressuscitei logo após ao transe do amor que se esgotava juntamente com a paixão. Mas por favor me levem à sério, pois cada vez que eu imploro é com a alma que eu falo, e não há a menor frivolidade. Se o final é uma porcaria, não tem problema, permita que o início seja sensacional!

Devo dizer que eu nunca consegui encaixar ninguém na minha música sapatinho de cristal, My Funny Valentine? Nunca ninguém me fez rir com o coração, apesar de já terem me feito chorar com a alma inteira! Ainda assim, tantas vezes sussurrei esses versos em ouvidos que não os mereciam, como se os recitasse aos ouvidos perfeitos e exatos! Tantos poemas, tantos trechos de livros, tantas imagens e nenhuma ou quase nenhuma configurava a relação na qual eu estava. Eu desejava e talvez ainda deseje o que não possuo, o que apenas me aproprio por instantes. É a sina da histeria, de desejar intensamente o desejo, o universo do que não se é, o que não se pode ter e jamais terá.

Cabe confessar que nunca gostei das princesas da Disney, mas achava os vilões fascinantes? Que daqueles mais elegantes aos mais trágicos ou caricatos, havia uma inteligência e brutalidade sedutoras, um incontrolável sublime! Como o dragão que se ergue do chão e desafia o príncipe que brande o falo em suas mãos. O dragão morre pelo falo e então tudo perde a graça, pois perde em paixão, em intensidade, em luta e antecipação do gozo que pode ser maior do que o gozo em si!

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Eu sou má? Sou má por não querer os bailes de vestidos multicoloridos, mas o cheiro de suor masculino, cheio de adrenalina, tensão, vontade, tesão? E então? Sou mulher da rua, sem rédeas, sem dono? Mas eu não vejo a menor graça em ser a rainha do lar! Nos ouvidos do meu amor efêmero eu sou descompassada, como lábios que querem tomar dele a carnee o sangue, como numa eucaristia profana transubstanciando a alma dele no nosso tremor, nas palavras sem sentido, e na vontade que chega a dar medo, de tanto que as peles parecem combinar.

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E nessas horas ecoa em mim a Rainha Má da Branca de Neve. Ô garotinha chata de dar dor de dente! Ela é tão ingênua que não percebe que tudo que ela é e sente é uma tremenda transitoriedade, todo prazer se esvai no momento que se concretiza, e apenas a idade é que dá a idéia do tempo, da urgência, do valor que se deve dar aos momentos. Às vezes tenho medo de mim. Do quão intensa eu sou, do quanto eu vibro por dentro e escondo.

Não, não devo contar de minhas fantasias de amor, dos meus sonhos de família e casamentos perfeitos, até por serem estranhos tanto para mim quanto para os outros, tais as suas peculiaridades. Além do mais acho que eu ficaria um tanto humanizada… e há locais onde eu quero ser não demasiadamente humana, mas sim miticamente humana!

Um deboche dos dramas íntimos meus e de todas as pessoas que são feixes de nervos expostos aos estímulos intensos, inesperados, randômicos  e que nos afirmam mais ainda que somos vivos e livres.

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