Novas Balzaqueanas

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A Mulher de trinta
“Nesta precoce análise das mazelas do matrimônio enquanto cerceamento da mulher —”Casada, ela deixa de se pertencer, é a rainha e a escrava do lar” —, Balzac retrata o casamento como pilar da sociedade burguesa (agora pós-revolucionária, “o encanto do amor desapareceu em 1789”) na França. Embora intrinsecamente conservador — talvez por isso mesmo —, a imagem que o autor traz da situação de mulheres curvadas sob o peso de suas obrigações sociais e legais é digna de interesse social, histórico e psicológico. Ideologicamente, sabemos que Balzac respaldava o casamento, e esta obra tinha a função de um libelo contra a “leviandade da mulher”, dando origem a uma Julie remoída por abissais sentimentos de desejo e culpa, mas o próprio texto e os personagens se encarregam de traí-lo e fica-nos uma forte impressão de que Balzac o denuncia nas entrelinhas em suas estruturas mais fundamentais. Assim, são deliciosas, se não memoráveis, e um tanto inusitadas para a época, as páginas em que Balzac retrata com derrisão o homem casado, tome-se o marido de Julie, o insípido Victor d´Aiglemont, que parece não discernir com muita clareza entre seu cavalo e a mulher. O que restou desta obra, para além de algumas falhas de construção (por exemplo, Balzac usa condessa por marquesa, ao descrever a tia de Julie, pois com a Restauração a marquesa recuperaria seu título, mas isso não fica suficientemente claro para o leitor e aparece como lapso do autor — propositadamente não foi corrigido nesta tradução), são trechos de um belo lirismo e forte inspiração sobre o amadurecimento da mulher (Balzac parece ao mesmo tempo lamentá-lo…), justamente sua passagem para a idade balzaquiana e para uma outra beleza, a da maturidade, para cuja construção o casamento seria um mal necessário: “A fisionomia da mulher só começa aos trinta anos”.
Para ler o livro online:
http://www.scribd.com/doc/8285495/Honore-de-Balzac-A-Mulher-de-Trinta-AnosRev

Quando falamos nas mulheres a partir dos trinta anos, nós as chamamos de “balzaqueanas”… que coisa, não é?  Hoje essas mulheres tem mais de quarenta anos… se adolescência ultrapassa os vinte anos, esse degrau de maturidade pulou para os quarenta.

Mas o negócio é que as mulheres de determinado nível social e cultural hoje em dia postergam o casamento para idades mais avançadas, deixam a reprodução para depois dos trinta, quando a personagem do livro já está cansada de ser mãe, e não é incomum que se casem – dedicando-se a um relacionamento estável realmente pela primeira vez, somente por volta dos trinta anos, de forma que o tal amadurecimento proposto pelo livro, o peso do casamento, do amadurecimento, da idade, dos papéis sociais, talvez só batam com força na casa dos quarenta.

Só que o mundo mudou, o mulherio já não é mais exatamente o mesmo, apesar dos homens ainda nutrirem um monte de expectativas bem parecidas, e assim gira a roda do mundo! É um livro que eu acho muito bom, interessante e enriquecedor para homens e mulheres.

novos20
Só um outro comentário: ontem eu contava à Dona M que minhas avós maternas e paternas distribuíam tarefas domésticas aos filhos homens, tais como lavar banheiros, quintal, ajudar na faxina de casa, etc. A pergunta dela foi: mas porque faziam isso se elas tinham filhas mulheres em casa? Eu não entendi a pergunta a princípio, pois para mim a lógica sempre foi óbvia, que homens ajudam nas tarefas domésticas, especialmente naquelas onde a força física deles facilita e agiliza o serviço, além do mais, se todos os filhos e filhas trabalharem igualmente, o serviço acaba mais rápido; os homens precisam saber se virar em casa pois independência não é apenas saber ganhar dinheiro com o trabalho assalariado, mas sim não depender de quem lave, passe, cozinhe e arrume para você.

Para Dona M o trabalho doméstico precisa ser conhecido pelo homem, porém de preferência não exercido, como se fosse uma obrigação essencialmente feminina, que ele só faz se a mulher não pode fazer por razões acima da vontade dela, ou como um carinho para ela. O trabalho doméstico é assim uma característica feminina e emasculante se exercido no contexto do casamento, por exemplo. Se eu tento ensinar meu filho a lavar louça (de plástico), é quase como se eu estivesse transformando-o num homossexual e além de tudo o explorando!

Portanto, vejam um exemplo de como mulheres criam, ou criavam, homens horrivelmente machistas, abusivos e egoístas diante de outras mulheres! E elas nem percebem pois esse é um mundo que elas não questionam, são valores, modos de identificação, nem sei!

Mulheres que como eu não se acham diferentes como pessoas dos homens acabam não se entendendo com estas senhoras. E também não se dando bem com os filhos delas. E quanto mais o tempo passa para mim, mais claro isso fica…

Pós-balzaqueana, ou nova balzaqueana, sou uma mulher de mais de quarenta anos de muita opinião e atitude. Mas como qualquer pobre mortal, eu bem que queria uma vidinha mais fácil…

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